Dr. Luís Soares da Costa

É licenciado em Dietética e Nutrição pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra.
Competência em nutrição desportiva adquiridas em 2014 no Instituto EPAP – Ensino Profissional, Avançado e Pós-Graduado em Lisboa.
Curso de Nutrição em Idosos na Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo em 2015.
Course in Approach to Oral and Enteral Nutrition in Adults, Course in Approach to Parenteral Nutrition, Course in Nutritional Support in Neurological Diseases na Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo em 2016
Curso de Avaliação Nutricional e Técnicas, Curso de Apoio Nutricional em Câncer na Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo
Mestrado de Nutrição Clínica em 2018 na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto

Nutrição e a Alimentação na Dor

A dor é uma sensação extremamente desagradável, mas é útil, pois sem ela não identificaríamos situações anómalas e que podem ser nocivas para o nosso organismo. Contudo quando este mecanismo se encontra desregulado, causa enorme transtorno e comorbilidades aqueles que padecem deste transtorno.

Quando a dor é de curta duração e se perspetiva que cesse em breve, podendo o intervalo de tempo ser de alguns segundos a algumas semanas, estamos a falar de dor aguda, a tal dor útil, que é proporcional ao estímulo causado e que sabemos qual a sua origem. Um exemplo de dor aguda que dura uns minutos é quando fazemos um ligeiro corte no dedo. Quando somos alvo de uma intervenção cirúrgica as amígdalas, a dor pode durar umas semanas e aí já tem uma duração maior, contudo continua a ser aguda. Quando a dor foge dos padrões expectáveis para a causa e que esta não justifique a duração, superior a 3-6 meses, nem a intensidade da mesma estamos perante dor crónica.

Há várias classificações para definir as causas da dor, havendo a possibilidade de a mesma pessoa ter diferentes etiologias para a dor que sente. Segundo (Cardoso 2013) podemos classificar a dor como nociceptiva (somática, visceral), inflamatória, neuropática e disfuncional.

A dor nociceptiva, cujo o nome deriva de nociceptores, que são terminações nervosas que quando estimuladas produzem dor, de origem somática são bem localizadas contrastando com a dor de origem visceral, que é difusa podendo não ser exatamente no local da disfunção.

A dor de origem inflamatória, como o próprio nome indica, advém de uma inflamação tecidual.

A dor neuropática é aquela causada por uma lesão num nervo, derivada de algum traumatismo, como um acidente de viação por exemplo, ou oriunda de uma patologia que cause tal dano, como é o caso da diabetes. Quando os doentes diabéticos têm constantes oscilações nos níveis séricos de glicose, podem sofrer de neuropatia diabética e ficarem sujeitos a este tipo de dor.

A dor disfuncional é uma dor de etiologia idiopática. As dores dos doentes com fibromialgia enquadram-se neste tipo.

Se há coisa que é essencial a vida é a alimentação. Na verdade, todos precisamos de nos alimentar e a alimentação tem um impacto inegável na nossa saúde e não é exceção para todos os que sofrem de dor crônica.

Quando a causa da dor tem uma origem inflamatória, a intervenção nutricional pode efetivamente ter uma palavra a dizer na melhoria da sintomatologia.

Os ácidos gordos ómega-3 parecem ser promissores na redução da dor. Os ácidos gordos da família ómega-3 (Ω-3) são essenciais, pois o ser humano não é capaz de os sintetizar, devendo ser obtidos através da dieta. Este tipo de ácidos gordos, onde se inclui o ácido alfa-linolênico (ALA), o ácido eicosapentaenóico (EPA) e o ácido docosahexaenóico (DHA) são percursores de mediadores anti-inflamatórios como prostaglandinas, prostaciclinas, tromboxanos da série 3 e de leucotrienos da série 5 e percursores de mediadores anti-noncetivos, como é o caso da resolvina E1 e resolvina D2. Estes mediadores atuam em inúmeros recetores acoplados as proteínas G que alteram a perceção da dor, como é o caso por exemplo de recetores prostanóides e recetores canabinóides.

Um estudo quis averiguar o efeito de uma dieta rica em ácidos gordos ómega 3 e com menor teor de ácidos gordos ómega 6 em doentes com dor de cabeça. Criaram dois grupos onde um fez a dieta supracitada, e a outro apenas uma redução de ácidos gordos ómega 6. No final verificou-se que os doentes com uma alimentação rica em ómega-3, reduziram a dor e melhoraram a qualidade de vida. Contudo este estudo não diz o teor de ómega-3 fornecido aos participantes.

Uma metanálise de Young-Ho Lee e colaboradores demonstraram que a suplementação de 2.7 gramas de ómega 3 por um período maior que 3 meses, levou à redução da ingestão de anti-inflamatórios não esteroides por parte de doentes com artrite reumatoide, contudo também salientam que são necessários mais estudos e que os estudos incluídos têm dosagens de suplementação diferentes.

Como se pode constatar este componente da alimentação parece ser promissor na redução da dor, assim como existem outros componentes com elevado interesso que abordarei futuramente. É preciso salientar que mais estudos são necessários e nunca faça suplementação sem aconselhamento médico ou do nutricionista e procurem sempres especialistas ligador à dor.

Contactos

Luís Soares da Costa

Nutricionista

Pós-Graduado em Nutrição Clínica

Cédula 2974N

Lscosta2974@onutricionistas.pt

Bibliografia

Bjørklund, Geir, Jan Aaseth, Monica Daniela Doşa, Lyudmila Pivina, Maryam Dadar, Joeri J. Pen, and Salvatore Chirumbolo. 2019. Has human diet a role in reducing nociception related to inflammation and chronic pain? Nutrition. doi:10.1016/j.nut.2019.04.007.

Cardoso, Alice. 2013. Manual de Tratamento da Dor. Edited by Lidel Edições Técnicas LDA. 1a. Lisboa: 2013.

Ramsden, Christopher E., Keturah R. Faurot, Daisy Zamora, Chirayath M. Suchindran, Beth A. Macintosh, Susan Gaylord, Amit Ringel, et al. 2013. Targeted alteration of dietary n-3 and n-6 fatty acids for the treatment of chronic headaches: A randomized trial. Pain 154. International Association for the Study of Pain: 2441–2451. doi:10.1016/j.pain.2013.07.028.

Tick, Heather. 2015. Nutrition and Pain. Physical Medicine and Rehabilitation Clinics of North America 26. Elsevier Inc: 309–320. doi:10.1016/j.pmr.2014.12.006.

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Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.arcmed.2012.06.011